PARA OS AMANTES DA POESIA











"O poeta é um fingidor,

Finge tão completamente,

que chega a fingir que é dor,

a dor que deveras sente."


Fernando Pessoa

domingo, 26 de dezembro de 2010

Nossos Poemas

Alguns poemas que são meus, não são  meus de autoria;
Foram-me dados à posteridade como carta de alforria;
Destinados a mim pela inspiração que os criou;
Agora tomo posse e publico a  quem os deixou;

Achado não é roubado, e quando dado não é emprestado;
Fico com eles, e deles darei cabo;
Não como o fim de uma idéia que um dia se fez verso;
Mas como o início daquilo que não tem progresso;

Foi idéia de réplicas e tréplicas, desabafos e declarações;
Podia ser a sublimação de um romance e suas divagações;
Foi o filho que nunca houvera;
A parte boa, a primavera!

Agora, escritos, perdidos e sem pó;
Porque guardados virtualmente, não há dó;
Se estivessem em velhos papéis escritos, mofos, rabiscos
Não! Estão aqui comigo, guardados, esperam que publique-os!

Eu farei como forma de consagrar a fé no amor e na palavra;
Pra dizer no futuro que alguém teve coragem, foi brava;
De dizer em versos, desejos de amor e tristeza
Falávamos de tudo com tanta certeza!

Esse nosso amor


Amor cristão
Amor pagão
Esse nosso amor!

Amor filosófico
Amor dismórfico
Esse nosso amor!

Amor mitológico
Amor ilógico
Esse nosso amor!

Amor amigo
Amor perigo
Esse nosso amor!

Amor hipotético
Amor antiético
Esse nosso amor!

Amor edípico
Amor atípico
Esse nosso amor!

Amor ternura
Amor loucura
Esse nosso amor!


Amor aberto
Amor esperto
Esse nosso amor!

Amor divinal
Amor anormal
Esse nosso amor!

Amor puro
Amor duro
Esse nosso amor!

Ah! Esse nosso amor...

RÉPLICA

eu diria que antes de mais nada é

um amor verdadeiro
um algo inteiro
um vento que não é passageiro.

um algo expontâneo,
que parece instantâneo
mas não é momentâneo.

um algo tangível,
parece inatingível,
de repente, fungível.

sim, queima-se como algo impossível,
como algo imcompreensível,
deve ser destruível.

um algo que deve morrer
mas como Fênix a renascer
volta com tudo a querer.

um algo quase fatal,
nos deixa bem, ficamos mal,
por que não ser algo normal?

um algo que já fez feridas,
marcou profundamente nossas vidas,
dilemas de coisas sofridas.

ser um ombro amigo,
ser uma proteção no perigo,
ser um calor no abrigo.

ver uma luz na noite perdida,
ter um afago na alma sofrida,
ser estímulo na mente oprimida.

abraçar um todo por completo
ser um todo, corpo e intelecto
um duo, com singular afeto.

ah esse amor haverá de morrer,
sim morrer, porque não o soubemos ter,
porque nao o queremos ter.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Poesia de Poema



Quando o poema cai morto,
É quando nasce torto.

Quando o poema chega certo,
É quando está perto.

Quando o poema fala de amor,
É quando sente todo o ardor.

Quando o poema grita alto,
É quando cai num salto.

Quando o poema sofre,
É quando está no cofre.

Quando o poema chora,
É quando vai embora.

E, quando o poema acontece,
É quando amanhece!

Foto e poema



TUA FOTO E MEU POEMA:
OS DOIS JUNTOS É UM BELO TEMA!
A FOTO E O POEMA!
COMO UMA BELA CENA.
VOCÊ, CAPTURA O LEMA,
E EU, FAÇO POEMA.
VOCÊ, DETECTA A SEMA,
E EU, A DESCREVO AMENA.
VOCÊ TEM A IMAGEM PLENA,
E EU, A PONHO EM PENA.
VOCÊ, MOSTRA O EMBLEMA,
E EU, EMBELEZO O FONEMA.
VOCÊ, FOCALIZA O PROBLEMA
E EU, ESCREVO O DILEMA...
COMO NUMA FOTO, NUM POEMA!

AliteraRosi


Rosi é de nome Rosa
Rosa-flor, rosa-cor!
Rápida, rente à relva
Retrato rico do amor!

Rosi, rubras rosas vermelhas
Rainha viva de red roses;
Roupas rosas, repentes velhos
Rouba rosas...reles amores!

Rutilados rubis riscados
De reveses, rotas rompidas
Rupestres, antigas revoltas
De riachos, rios e ruínas!

Nesses instantes

Nesses instantes de pensar,
Te revelo!
Nesses momentos de sentir,
Me rebelo!

Nesses oceanos de saudade,
Me afogo!
Nesses mares de distância,
Te trago!

Nesses dias incontáveis,
Te espero!
Nesses eternos infindáveis,
Me guarda!

Nesses teus dias de inverno,
Me esquento!
Nesses meus dias de verão,
Te aqueço!

Nesses encontros astrais,
Te cruzo!
Nesses infinitos universos,
Me tens!

Poesia del Otro lado del rio



É VOCÊ ASSIM PRA MIM:
BELO, INTENSO, APOLÍNEO;
ALTO, FORTE, LONGILÍNEO;
CORPO E MENTE EM ALÍNEO!

É VOCÊ ASSIM PRA MIM:
PERTO,LONGE, GALÁCTICO;
PRESENTE, AUSENTE, EMBLEMÁTICO
AQUI E ALI, UM AQUÁTICO!

É VOCÊ ASSIM PRA MIM:
CARTESIANO, FRIO, EGOÍSTA,
BYRONIANO, QUENTE, IDEALISTA;
SÁDICO, PERVERTIDO, HEDONISTA!

É VOCÊ ASSIM PRA MIM:
DUVIDOSO, PROFUNDO, PARADOXAL;
PLUTÔNICO, ABSTRATO, VISCERAL
SERENO, LÚCIDO, REAL!

Mr. Reader's Poem


Se te decifro, me abres as portas de Corinto!
Se não; me comes, eu sinto!
O que pode ser pior? Labirinto!
De todo jeito, me capturas... Não  minto!
É inebriante, é absinto!
És a esfinge, o tabu, o instinto...
Cadente sob a luz do sol, distinto!
Emblematicamente misterioso, retinto!
E quando não, extinto!

sábado, 18 de dezembro de 2010

Fotografia











FÁCIL: uma fotografia qualquer!
DIFÍCIL: qualquer fotografia!

FÁCIL: fotografar paisagens, objetos, pessoas...
DIFÍCIL: fotografar sensações de paisagens, sentimentos de paisagens, o inanimado das pessoas

FÁCIL: tentar ser difícil;
DIFÍCIL: ser simplesmente fácil

FÁCIL: abrir um álbum de imagens;
DIFICIL: abrir o álbum da própria alma!

FÁCIL: O nu de um corpo;
DIFÍCIL: capturar a nudez ontológica, radioativa, intrínseca...´

FÁCIL: com tecnologia digital
DIFÍCIL: com sensibilidade analógica

FÁCIL: buscar imagens distantes, inóspitas, inexploradas...
DIFÍCIL: buscar essas imagens dentro de si e do mundo a sua volta!

FÁCIL: encontrar o amor em imagens perfeitas, sublimes indiscutíveis;
DIFÍCIL: encontrar o amor em distâncias não percorridas, mundos diferentes, tempos desencontrados...

FÁCIL: quando o som é sempre menor do que a luz...
DIFÍCIL: quando a luz não é única coisa que enxerga uma imagem, quando o limite é infinito!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Volta

Volto à terra.
Saio do teu Olimpo,
Caio no abismo,
No frio da terra;
No descampado
Da guerra!
Dia a dia de feras...

Quando vem a noite,
Te lembro...
E, em minha lânguidez,
Como num sonho vens,
E como num sonho vais,
Distante, oceânico,
É pura insensatez!

Como?

Como falar-te?
De amor e saudade,
De desertos e oásis,
Paradoxos e certezas...

Como sentir-te?
De longe e virtual,
De vácuos de tempo,
Fusos e encontros...

Como saber-te?
De leal e amado,
De moral e cuidado,
Conceitos e perdas...

Como amar-te?
De paixão e lascívia,
De mente e malícia,
Beijos e clímax...
Como...?

Viver

Viver os saberes do ser,
É acreditar e não crer,
É apostar para ver,
É voltar a viver.

Viver as dores do mundo,
É rever o próprio mundo,
É saber amar profundo,
É extrair amor do fundo...

Viver os amores da vida,
É sempre dar a partida,
É chorar a despedida,
É começar de novo a lida!

sábado, 31 de julho de 2010

Entre nós dois

O instante entre nós dois é sublime;
O instante entre nós dois é eterno;
O instante entre nós dois é etéreo;
O instante entre nós dois imprime!

O sublime entre nós dois é o instante;
O eterno de nós dois é inconstante;
O etéreo de nós dois é sublime;
O instante entre nós dois imprime!


A ti

A ti não resta mais texto,
nem inspiração;
Apenas o resto da desilusão.

A ti, não resta mais amor,
nem carícias;
Apenas o furor das nossas malícias.

A ti não resta mais olhar,
ou lânguidez;
Apenas o cessar da insensatez.

A ti não resta mais o tudo,
de meu mundo;
Apenas o luto profundo.

Só a ti não resta!
O resto é saudade...

domingo, 27 de junho de 2010

Ces´t L´amour

Eu te daria o céu, se pudesse
Não porque te amo, mas porque te gosto;
Não do jeito que gostarias,
Mas de um jeito que é bonito;

Eu estaria do teu lado, até no pior momento
Não porque te amo, mas também porque te cuido,
Não do jeito que precisas,
Mas de um jeito que é obscuro!

Eu te escolheria, se pudesse
Não porque te amo, mas também porque é lógico;
Não do jeito que tu sentes
Mas de um jeito que é óbvio.

Eu te esperaria, se pudesse
Não porque te amo, mas porque o tempo é relativo,
Não do jeito que mensuras...
Mas de um jeito diferente.

domingo, 30 de maio de 2010

Que mulher eu sou? (réplica)

Que mulher eu sou?
Sou mulher-criança e também sou velha;
Mas não sou qualquer uma...
Sou aquela!
Aquela que não deita na cama,
Mas leva fama!
Sou aquela que afaga teus sonhos e pesadelos,
Mas que no afã de proteger-te,
Não há medida para escondê-los.
Pra ti, nem sou bonita!
Mas me coloca em palafita,
Num rio que enche os meus anseios,
Mas que não preenche os teus devaneios.
Sou cristal fino e pedra dura,
Sou frágil e não quero ser, e aí sou pura...
Sou inteligente, mas não o suficiente,
Sou lasciva, sem ser opulenta,
Que encanta o que não ostenta!
Sou mulher de fortes e corajosos,
Que na ãnsia de tão desejosos
Me entrego aos poucos, a poucos...
E, até há loucos...
Onde inspiro poema
Na qual, eu sou o tema!
Essa sou eu!

Que mulher é esta?

Que mulher é esta que diz que me ama,
Mas não vai pra minha cama?
Que mulher é esta que diz que não me ama,
mas eu sei, sei sim, que me ama!

Que mulher é esta que diz que não me quer,
Mas não me deixa um dia sequer?
Que mulher é esta que toda hora me quer,
Mas foge de mim onde eu estiver?

Que mulher é esta que quero esquecer,
Mas dela me lembro ao adormecer?
Que mulher é esta que não posso esquecer,
Mas dela são meus desejos até o amanhecer?

Mulher, mulher, mulher antítese,
Mulher, mulher, do homem uma tese
Mulher, da palavra exegése,
Mulher, da vida exerése.

Mulher, paradoxo da história,
Mulher, pico de toda a glória,
Mulher, lide sempiterna da memória,
Mulher, fonte de amor e discórdia!

Que mulher é esta que embaralha minha mente?
Que mulher é essa que me tomou pra sempre?
Que mulher é esta que vai e vém de repente?
Que mulher é esta que amo tão simplesmente?

domingo, 16 de maio de 2010

Lay Out


Mãos  de urso;
Em pele de lobo;
Olhos de ave;
Em asa de rapina!
Cores atraentes,
De burro quando foge...
Não!
Voce não  é burro
Só na cor.
Na cor,  de mãos de urso!
Nos olhos que desconhece
Você diz verde,
Eu, azul celeste!
Você é todo grande,
Você é todo imenso,
Até no coração...
E no resto que penso...

Você

Você me olha,
Você me gosta,
Você diz que me ama,
Mas quer cama!

Você me sente,
Você me toca,
Você diz que me adora,
Mas é da boca pra fora!

Você me ouve
Você me entende,
Você diz que me admira;
Mas é mais uma mentira!

domingo, 2 de maio de 2010

Poeta Ausente

Não escreves mais!
Nem por mim,
Nem por ti,
Nem por ninguém.
Talvez sejas refém.

Não escreves mais!
Pelo medo,
Pelo credo,
Pelo certo,
Talvez estejas perto.

Não escreves mais!
Pelo rancor,
Pelo ardor,
Pelo torpor,
Talvez seja amor.

Mas por quê?
Mesmo que sejas refém de alguém,
Ou por ti, ou por mim...
Não escreves mais... é o fim!

Alícia


Alícia vem de Alethia

A verdadeira!

A primeira!

A, de dois As

Ela é frágil e pequenina,

Seus olhos dançam como a bailarina!

É viva, observa,

Veio antes do tempo

Tem pressa, acelera,

Quer o mundo, quer o vento!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Faz Tanto Tempo

Faz tanto tempo que não  te vejo;
Faz tanto tempo que não te sinto;
Faz tanto tempo que não te beijo;
Que até esqueci!

Faz tanto tempo que não te lembro;
Faz tanto tempo que não te ligo;
Faz tanto tempo que não te escrevo;
Que até esqueci!

Faz tanto tempo que não te toco;
Faz tanto tempo que não te espero;
Faz tanto tempo que não te quero;
Que até esqueci!

Bruno













Meu filho Èdipo, perfeito
Encara, encanta
Sonha, canta...
Dorme e quer meu peito!


Meu filho, urso amigão
Amor eterno;
Não é fraterno,
Vem das entranhas, do coração!

Meu filho Bruno, Hot Wheels
Encara o perigo,
É meu amigo,
Tem energia pra mais de mil!

SÓTÃO

Aqui no meu sótão de poemas
Vivo todos os dilemas
Posso até errar fonemas
Mudo as regras e os lemas!

Aqui no meu sótão de amores
Onde aprecio meus cantores
Sinto todos os sabores
Preto, branco ou em cores!

Aqui no meu sótão da imaginação
Renasço e morro, é tudo criação
Até dói, o singelo coração
Mas é tudo invenção!

Aqui no sótao das minhas saudades
Levo só amenidades
Pra enfeitar minhas vaidades
De fantasias e verdades...

Lembranças

Tantas canções me dizem
Coisas que eu quero ouvir,
E como que revivem,
Os instantes de sentir.

Tantos cheiros me lembram
Memórias de amor e infância,
Algumas ao meio me quebram,
Outras me dão ânsia!

Tantas palavras me tocam
Na alma e no coração
Me embalam e me levam
No fundo de toda emoção!

Tantos sentidos me consomem,
Com volúpia, lascívia e languidez...
Crescem, explodem e me comem
Aí, volto à censura da lucidez!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Você pra mim



É você assim pra mim:
Distante, perto, misterioso...
Inteligente, consciente.
Vivo e fogoso!

É você assim pra mim:
Claro,escuro, fluido...
Pensa, sente.
Sonoro, sem ruído!

É você assim pra mim:
Ígneo, virtual, maciço...
Etéreo, aquoso.
Forte, inteiro, preciso!

É você assim pra mim:
Mágico, simples, complexo...
Estranho, íntimo.
Côncavo, convexo!

É você assim pra mim!

Flor e Borboleta




Hipotético, cético, real amor...
Tétrico, métrico, distante ardor...
De Farfala, fala, virtual torpor...
Culto, belo, como o Lácio compor...

De esculturas, de linguagens, de tanto humor...
Poliglota, sem rota, de mar e muita cor...
Transcende, transborda, transgride o furor...
...do Bucaneiro, furioso, destemido, sem dor...

Aberto como pétala em flor...
Os canais do hipotético, métrico, virtual amor

Quando tudo isso acontece

Quando brinco com as palavras,
é quando mais digo  verdades;
Quando brinco às tuas palavras,
é quando mais diz seriedades;
Quando brinco de brincar com as palavras,
é quando mais me conheço;
Quando brinca o palavrear,
é quando  o poema arremesso!