PARA OS AMANTES DA POESIA











"O poeta é um fingidor,

Finge tão completamente,

que chega a fingir que é dor,

a dor que deveras sente."


Fernando Pessoa

domingo, 2 de novembro de 2014

Flor e borboleta

Hipotético, cético,
real amor,
Tétrico, métrico,
distante ardor,
De farfala, fala,
virtual torpor,
Culto, belo,
como o Lácio compor!

De esculturas, de linguagens,
de tanto humor,
Poliglota, sem rota,
de mar e muita cor,
Transcende, transborda,
transgride o furor,
... do Bucaneiro, furioso,
destemido, sem dor,

Aberto, como pétala em flor,
Os canais,
do hipotético, métrico, virtual amor!

Desastre

Que falta a este traste?
Contraste!
Que pensa este imbecil?
Pueril!
Que sonha este hedonista?
Conquista!
Que ama este Ogro?
Logro!
Que sofre esta fera?
Era...!
Que toca este Davi?
Déjà vu!
Que almeja este ser?
Ler!

Quisera amar-te

Quisera amar-te assim:
Rápida e lentamente,
Sôfrega e impulsiva mente,
Fora à parte, o fim!

Quisera dar-te o sim:
Lânguida e suavemente,
Trôpega e serena mente,
Fora à parte a mim!

Quisere pôr-te enfim:
Lúgubre e levemente,
Côncava e lúcida mente,
Fora à parte o sim!

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Pensei mil versos,
A ti!
E até universos,
Em si!
Pensei em canções,
Pra ti,
E mil confissões,
Por ti!

Nem mil versos,
Nem canções,
Nada disso eu fiz!
Até uni-versos,
De confissões,
Te quis!
Te amo em tudo,
Até nos defeitos,
Não fossem defeitos,
Serias perfeito!

Perfeição não existe,
Nem mesmo o ideal,
Portanto é ideal,
O parceiro leal!

Lealdade é presente,
Na vida e na morte,
Se a vida é morte,
O amor te faz forte!

Fortaleza de heróis,
Um par que se ama,
Da vida que ama,
Tudo é uma cama!

Saudades

Ah que saudades desse tempo, 
que não eras meu!
Saudades de um tempo,
que a ti não pareceu,
Que saudades desse eu,
que não me pertenceu!
Saudades, saudades...,
do que nunca fora meu!



domingo, 27 de abril de 2014

Tu

dentre tantos seres, eras o único,
dentre tantos pares, eras o último,
dentre tantas cores, eras o cético!

entre sonhos loucos, era a aurora,
entre os  planos tolos, era o agora,
entre as chaves tortas, era a  demora!

dentre ventres ocos, eras o alpha,
dentre pontes pênceis eras o Delfos,
dentre noites frias eras o encontro!

entre amores estranhos, tu eras viril,
entre febres latinas, eras o cio,
entre mortes míticas, o meu perfil!

terça-feira, 18 de março de 2014

No final

Tua posse me sufoca,
me envenena,
Adia o dia,
Partida amena,
Tua  fala me afasta,
Me condena.
Adia o dia,
Partida plena,
Tua coisa me arrasa,
Me dá pena,
Adia o dia,
Partida a cena!

segunda-feira, 17 de março de 2014

Tristeza Tua


Tristeza tua, é a lágrima! 
Arrebata tua esgrima,  
Entenda tua mágoa,  
Escreva tua rima! 
Príncipes também choram... 
Às Rosas mortas, cálidas,  
De tudo que controlam,  
Sofrem às faces pálidas!  
Embrenha-te em teu pântano,  
Sonífero país, fantástico,  
Jorra-te em teu cântaro,  
Viver também é drástico! 
Lembra o teu baú de imagens?  
Abre a caixa e vê a fotografia: 
Sairão dali os personagens,  
Teus amores, tuas dores e tua tia! 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Teu pesadelo

Vitral de tristeza,
Tua casa
Assombrada!
Fantasmas flutuantes,
Minha imagem!

Mar de tormenta,
Tua mesa
Cirúrgica!
Imagens flutuantes,
Meu Fantasma!

Que amor é esse?

Que amor é esse?
Amor que não ama mais...?
Amor que ficou lá atrás,
Que dormiu sem paz!

Que amor é esse?
Amor que nunca existiu?
Amor que não resistiu,
Que perdeu o cio!

Que amor é esse?
Amor que  te cobra?
Amor que  te esnoba,
Que ficou da sobra!

Que amor é esse?
Amor que te evita?
Amor que se agita,
Que faltou na fita!

Que amor é esse?
Amor que se corrói?
Amor que se destrói,
Que tentou o herói!

Que amor é esse?
Amor de um poeta?
Amor que se afeta,
Que perdeu a reta!

Que amor é esse?
Amor que te sufoca?
Amor que se ofusca,
Que errou a  toca!

Que amor é esse?
Amor que te anula?
Amor que se atura,
Que usou armadura!

Que amor é esse?
Amor que, de fato...
Amor  de aparato,
Que cuspiu no prato!

Que amor é esse?
Amor que te enoja?
Amor que se aloja,
Que saiu à corja!

Que amor é esse?
Amor que te odeia?
Amor que rodeia,
Que morreu na teia!