PARA OS AMANTES DA POESIA











"O poeta é um fingidor,

Finge tão completamente,

que chega a fingir que é dor,

a dor que deveras sente."


Fernando Pessoa

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Caixa de Fotos



Destroçando tuas fomes;
À mesa de um bárbaro onde comes;
Mergulhado em memórias, das quais dormes,
Lembranças, histórias, - Todos os nomes! 
Um perfeito Funes nos detalhes!
Às datas, os tempos e lugares...
Marés vermelhas, amigos e rubores, 
Família, infância e teus amores!
Teu baú da bagunça, sem temores;
Imagem fotográfica: preto e branco ou em cores!
Tuas memórias são enormes! 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Dois Dragões

Vi dois dragões de fogo,
Zingrando o rio,
No crepúsculo do meu véu,
Acima de um arranha-céu!
Na linha do horizonte!
E podia-se ver ao longe,
O pântano dos dragões,
Seu lugar, suas orações!
Matizes vermelhos,
De chamas flamejantes,
Nos espelhos d'água!
Eram dois amantes!
De braços dados,
Corações alados,
Dois dragões gigantes!

Selvagem

Capturas o que não temes;
Armazenas o que não comes;
Amarras o que não prendes;
Sacias as tuas fomes!
E vai-te....
Estranhas o que nao sentes;
Vendes o que não compras;
Juras o que não mentes;
Toleras as tuas rompas!
E parte...

Divindade

Sob os pés do equlibrista,
Repousa a lógica,
Da visão ótica,
A linha tênue do hedonista!

Pendurado à simbiótica,
Estreita mágica,
De queda trágica,
Matéria fina, até robótica...

Imantado brilho venusiano,
De pés alados,
Finos talhados,
Tampouco formam, um Deus humano!

Eis o homem!

Um platônico,
Bípede implume,
Um biônico,
Bíceps infâme,
Eis o homem:
Fragilidade estéril,
Caminho etéreo,
Lúgubre pronome!
Ígneo, hermético,
Cínico, patético,
Quadrúpede disforme,
Eis o homem!

Algo


Terá sido uma boa estrada?
Um bom caminho...
Um meio para algo?
Não o algo!
Um espinho...
Será a estrada o próprio algo?
Não, o caminho!
Paradoxo ou moinho,
Para aquilo que não vejo,
Sinto!
Para aquilo que não sei,
Vinho!