PARA OS AMANTES DA POESIA











"O poeta é um fingidor,

Finge tão completamente,

que chega a fingir que é dor,

a dor que deveras sente."


Fernando Pessoa

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Loucura

Quando bate uma loucura,
De um desejo bem maior,
Ou...
De um momento de ternura,
De um algo bem melhor,
Fala a carne, uma fissura!
Não há certo nem pior!

sábado, 22 de outubro de 2011

Faces



Há em mim
Tantas faces,
Marcas indeléveis
De romances,
Portas Impossíveis
Sem enlaces,
Idéias, fantasias
E mil chances!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Fuso


Menos um fuso,
Entre nós,
Menos confuso,
E a sós!
Menos desuso
E os nós...
Menos difuso,
E veloz!
Menos abuso
E feroz,
Menos ocluso
E sem voz!

sábado, 8 de outubro de 2011

HOLOGRÁFICA(MENTE)


A poesia que te dedico,
É sempre minha!
E, de fato,
é uma grande mentira,
Essa linha!

No fundo da poesia,
A fantasia é dialética!
É sempre uma alegoria,
de uma idéia,
Quase patética!

É desfragmentar até,
O mínimo sinal!
É um pensar subatômico,
de um instinto,
Ainda verbal!

É dizer e desdizer,
O absoluto inefável!
Voltar à origem de tudo,
de ir ao limite,
Do impenetrável!

INSÔNIA

Num silêncio taciturno
De um cadente noturno,
Pássaro que canta,
Seu canto soturno,
Mas não me encanta,
Nem imanta, o turno!


Num silêncio sepulcral,
De um repente madrigal,
Pássaro que lança,
Seu canto triunfal,
Mas não me amansa,
Nem avança, o litoral!

Num silêncio impuro,
De um regente obscuro,
Pássaro que exclama,
Seu canto escuro,
Mas não me inflama,
Nem clama, o puro!

Estribilho para meu filho

Dorme, meu filho,
Estou aqui, por ti...
A escrever
Este estribilho!

Dorme, meu filho,
Estou sem sono, sem dono...
A enfeitar
Este estribilho!

Dorme, meu filho,
Estou aberta, em alerta...
A refazer
Este estribilho!

Dorme, meu filho,
Estou em alta, e falta,
Eu terminar
Este estribilho!

Vídeo-verso

Dos meus neurônios?
Pergunte aos meus hormônios,
E também aos feromônios...
Aos anjos e demônios!

Dos meus sentidos?
Pergunte aos meus partidos,
E também aos meus sortidos...
Aos desnudos e vestidos!

Dos meus amores?
Pergunte aos meus senhores,
E também aos meus tumores...
Aos fatos e fatores!

Dos meus desejos?
Pergunte aos meus ensejos,
E também aos meus lampejos...
Aos leões e carangueijos!

Dos meus sintomas?
Pergunte aos meus idiomas,
E também aos axiomas...
Aos perversos e sodomas!

Dos meus mitos?
Pergunte aos meus ditos,
E também aos meus ritos...
Aos queridos e malditos!

Dos meus prazeres?
Pergunte aos meus quereres,
E também aos meus dizeres...
Aos devidos e deveres!

Dos meus instintos?
Pergunte aos meus famintos,
E também aos meus extintos...
Aos destros e distintos!

Dos meus poemas?
Pergunte aos meus fonemas,
E também aos meus edemas...
Aos doidos e dilemas!

Madrugada

COM A MADRUGADA,
VEM TAMBÉM
A CEFALGIA,
UMA ORGIA DESREGRADA!
COM A MADRUGADA,
VEM TAMBÉM
A POESIA,
UMA FANTASIA EMPREGADA!

EGOÍSMO

Na verdade,
Sempre escrevo,
Por mim,
E,
De verdade,
Isso nunca,
Tem fim!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Dia de Chuva



Quando olhares de dentro,
E vires a chuva cair,
Lembra que alguém, há tempo,
Fez esse verso pra ti!

E...

Foi pra ti que está lendo,
E vendo a chuva cair,
Pensando, agora, como,
Fiz esse verso pra ti!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Diga a todos...

Diga a todos,
Que é tua!
O poema, o corpo,
E a nua!
Diga a todos,
E à Lua,
A poesia,
Que é crua!
Diga a todos,
À rua,
Da linda letra,
Que atua!

Quinta-feira


Foi naquela chuvosa quinta...
Ordinário dia, que não minta!
Cantava-se até a extinta,
Música comum - que quinta!

E de cor, corrói a tinta,
Que não finca e nem pinta;
Que não mente e nem sinta;
Dia triste - a quinta!

Chorava a chuva retinta,
De aquosos olhos, de quinta..!