PARA OS AMANTES DA POESIA











"O poeta é um fingidor,

Finge tão completamente,

que chega a fingir que é dor,

a dor que deveras sente."


Fernando Pessoa

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Vowels

Dádivas...
Amado?
Viram
Imãs
Disfarçados!

Déficits...
Amigo?
Voam
Indefesos
Deturpados!

Dívidas...
Amante?
Violam
Índios
Dominados!

Dogmas...
Antigo?
Vencem
Istmos
Descampados!

Dúvidas...
Apolo?
Vagam
Ilesos
Deflorados!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Despedida

E foi história sem começo,
sem início, nem avesso,
nem meio, nem tropeço,
Só o fim era teu preço!

Sem cor, sem cheiro, sem gosto,
nem dor, nem beira, nem rosto,
um sol, sem brilho, sem posto,
Um mar, sem peixe, sem susto!

Vai-te sereno, sem tempo, sem nada...
Em busca de senso e jornada,
Sem linha, sem vento e lufada,
Na busca de mais outra almada!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Marasmo

Uma falta total de dor
E assim, poesia não vem...
Se não porque é refém,
De tudo que pensa amor!

Dias e dias de ausências,
Porque a vida está boa,
Esquecer até reminiscências,
É navegar numa lagoa!

Tragar a perfeição alheia,
É sorver sua lânguidez,
Quando a vida não é feia,
O poeta perde a sua vez!

A utopia se fez verso,
Nua, crua, sem assunto,
Seria mais um defunto,
De um parnasiano avesso!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

kairos


O poeta está sempre morto,
Vive na posteridade
sem paralelo de tempo,
Sem verdade,
Se desencontra!
Diante do absurdo
Do que escreve:
Está aqui, mas sua poesia não!
É breve!
É um sem tempo,
Um visionário,
Um louco,
Um futurista!
Um missionário!
Tudo que vê é poesia,
E isso é passado,
Que presente inexistente?
Só se o futuro...
E-vidente!

Preciso

Se é preciso dizer o que li?
Das impressões que senti,
E do tempo que vi!

Nem é preciso saber o que li...
Das sensações que sofri,
E do que penso de ti!

Mas é preciso reter o que li;
Das emoções que abri,
E do mundo que vi!