PARA OS AMANTES DA POESIA











"O poeta é um fingidor,

Finge tão completamente,

que chega a fingir que é dor,

a dor que deveras sente."


Fernando Pessoa

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Triste amor

Me amas tanto
e eu tão pouco,
Me amas de manhã,
Pela tarde...
E até, pela noite!
Te acordas com  meus temores,
E tudo te leva a mim!
Vives tão intensamente
esse amor;
que esqueces de amar-te!
E me doem esses instantes de amor...
Teus! Somente teus!
Como flechadas que te dou! E nem sei!
E sofres, e sentes e morres...
e continuas a viver tão lúgubre viver!
Tuas dores? Vejo todas
E  passam por mim...
E, mesmo me tendo na alma,
Não consegues me atingir!
                          Por quê?

Qualquer coisa

Da coisa breve,
Do espaço leve,
O tempo teve,
O que se vive!

Da coisa certa,
A pessoa alerta,
De linha reta,
A porta aberta!

Da coisa enfim,
O não é sim,
De ser assim,
Dá medo o  fim!

Da coisa pura,
A dor é dura,
A vida atura,
De queda altura!

Da coisa boa,
De uma pessoa,
E uma lagoa,
Um ser à toa!

No dia dos mortos

No dia dos mortos,
Peço a Deus pelos vivos...
Vivos que vivem tortos!

No dia dos mortos,
Rezo os sem-teto vivos...
Vivos sem os seus portos!

No dia dos mortos,
Imploro aos malditos vivos...
Vivos pelos esgotos!

No dia dos mortos,
Rogo os pequenos vivos...
Vivos e natimortos!