PARA OS AMANTES DA POESIA











"O poeta é um fingidor,

Finge tão completamente,

que chega a fingir que é dor,

a dor que deveras sente."


Fernando Pessoa

quinta-feira, 28 de abril de 2011

AMOR

Que coisa é essa?
Uma ideia universal!
Uma busca sem limites,
De algo bem normal.

Querem ricos, querem pobres,
Também os reis e os plebeus!
Gente de toda cor;
Até quem não crê em Deus.

É pauta de toda a história
Está na música, poesia e arte;
Na mente de loucos e santos;
Pessoas de toda a parte.

Não escolhe lugar ou idade,
É atemporal, onipresente...
Um dia todo mundo conhece,
Não há quem argumente!

Seu manifesto é versátil,
De um querer incansável;
Não se traduz com a razão,
O sentimento inexplicável.

Pode ser materno ou de amigo,
Profundo, lindo ou divinal;
Também é carnal ou fraterno,
Uma experiência sem igual!

Traduzido em mil palavras,
Isso tudo é um ardor!
Versado em todos as línguas,
Perfeito e mágico amor!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Morte

À espera iminente,
A dor pungente,
Um coma comovente,
Uma morte diferente!

É ver-se morrer;
E impotente ceder;
Um triste adoecer;
Uma bactéria com poder!

O tempo certo, é incerto,
O dia da partida em aberto,
Um calendário secreto,
Uma certeza, um acerto!

Drama

Impotente, paralítico, em coma;
Descrente, acrítico, sem alma;
Doente, epilético, na forma;
Paciente, analítico, em suma;
Ah! Esse amor!
Está morrendo,
Está perdendo,
Todo o calor!
Um dia fora:
Potente, atlético, na forma;
Crescente, crítico, com alma;
Presente, prático, em suma;
Somente sádico, na cama!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Amor x Ódio

Foi por te amar demais
Que me esqueci,
Deixei os sonhos pra trás,
Quase morri!

Foi por te odiar demais
Que me lembrei,
Deixei os medos fatais
Quase parei!

Foi por te amar demais
Que me perdi,
Deixei as coisas reais
Quase sofri!

Foi por te odiar demais
Que me achei,
Deixei os fatos normais,
Quase sonhei!

Foi por te amar demais
Que me despi,
Deixei os mitos banais,
Quase vivi!

Foi por te odiar demais
Que me amei,
Deixei as coisas virtuais,
Quase chorei!
Te amei,
Te odiei,
Me odiei,
Me amei,
Hoje zerei!

A Idéia


Ilumina à mente e ascende em forma;
Desenha a palavra e a norma;
Imagina a cor e a torna,
Uma idéia pronta que se adorna!

Nunca é perfeita, nunca é completa;
Se pensa de um jeito que a afeta;
Volta à idéia, inspira, completa,
Melhorada, esculpida e concreta!

A cabeça que pensa cria;
A mão que a esquenta, esfria;
O espaço que habita é dia,
A ideia em si - fantasia!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Liberdade

Só se dá o que se tem;
E mesmo, a quem convém
Se és livre, ou és refém;
E mesmo a um outro alguém,
Se terá o que convém!

Se ninguém é de ninguém;
E até mesmo no álém
Se trará o que mantém;
E mesmo quando o bem;
Se parece um vai-e-vem!

Gêiser


Um gêiser inquieto
Um ser errante,
Só vê o instante,
Pensa que é certo;
Nunca descansa,
Mas cansa...
Avança...
Como furacão,
Varre tudo a sua frente,
Explode em raios,
Usina incandescente!
No dia em que se encantar;
Será pleno luar;
Não haverá altar,
Para tanto amar!

Palavra Imantada

Ontem me achou uma palavra,
Tão bonita, encantada,
Tão singela e protegida,
Parecia imantada!

Assim mesmo, diz Herculano:
Imantado como o poema,
Da foto sua estranha,
Me trouxe a idéia plena,

Se se imanta o que se guarda,
E, se esconde numa imagem,
É pra guardar de fato,
O segredo da viagem!

Imanta-se o lar e o mar;
Imanta-se o ferro e a dor;
Imanta-se o brilho e o par;
Imanta-se o filho e o amor!

Submissão

Aceite tudo!
Até meus defeitos
Fique mudo!
Parecem perfeitos.
Não mexa aí!
Isso é pra ti!
Não toque em nada!
nem nas minhas feridas...
Aguente minhas floridas!
Como uma alma penada!

Poema do Infinito

O poema do infinito,
Não é assim tão bonito,
Porque não é de vento.
E nem é sideral;
Não viaja pelo tempo,
E nem é celestial!

O poema do infinito
Não é assim tão bonito,
Porque não é da lua,
E nem é multiverso,
Não está em qualquer rua,
E nem é perverso!

O poema do infinito,
Não é assim tão bonito,
Porque não é convincente,
E nem é hipotético,
Não habita toda mente,
E nem é profético!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Estranhos

Não vejo mais esperança,
Pra ti, pra mim, pra nós dois,
Juntos há uma semelhança,
Não sabemos o que vem depois.

Não vejo mais confiança,
Em você, em mim, neste par,
Juntos há uma balança,
Não temos a lua e o mar.

Não vejo mais a mudança,
De mim,de ti, deste duo,
Juntos há uma herança,
Não pensamos no recuo.

Não vejo mais lembrança,
Contigo, comigo, ou a sós,
Juntos a fala é mansa.
Não sonhamos sobre o pós!

Ontoprojeto




Quando em ti me perco,
Te tenho,
Quando desapareces em mim,
Desenho!
Numa química volátil
Inflama a flama
Queima, explode,
Jorra a chama!
É um encaixe tângramico
Duas partes compatíves,
A peça tua, encontra a minha,
Como engranagens infalíveis!
Nossa engenharia é perfeita,
Um plano aberto, estruturado,
Cálculo de altura e efeito,
Um arranha-céu flexionado!

O Amado de Deus


Teu cheiro de fera,
Tua fome que espera,
Teu toque que dera,
Tua certeza de Hera,

Teu olho de rapina,
Teu faro numa mina,
Teu gosto que domina,
Tua mão que ilumina,

Teu instinto, uma serpente,
Teu âmago, atraente,
Teu feitiço, convincente,
Tua causa mais frequente.

Corpos



É no teu corpo que descubro,
Tudo aquilo que encubro,
Que de aberto se faz rubro.

Um chão de efeito e lânguidez,
À meia-luz conduz à rapidez,
É o dia do meu dia, é minha vez.

O prazer que se pede -Faz!
Se repete, se consagra, mas,
Em meu corpo que respira, jaz.

Sonho, como, te devoro,
Acordo, volto e não demoro,
Repete a cena, te decoro!