PARA OS AMANTES DA POESIA











"O poeta é um fingidor,

Finge tão completamente,

que chega a fingir que é dor,

a dor que deveras sente."


Fernando Pessoa

terça-feira, 31 de maio de 2011

Mortos Mitos

Quantas belas Medusas eu encontrei?
O número de pedras que me tornei.
E de tantos Midas que dispensei,
De todo ouro que já toquei!
Quisera fossem os Olimpos que penetrei;
Paisagens lindas, celestes que me deixei!
Ou,
Os Abismos de Hades onde chorei?
De Hercúleos homens me apaixonei,
E parte deles eu conquistei...
A outra parte eu dominei;
E numa parte deles eu me incendiei!
Se eles pensam o mesmo, eu não sei!
Quimeras e muitos mitos eu já criei,
E alegrias normais eu sacrifiquei,
Penélope e Ulissses imaginei,
Eu, ele e um tear, que desmanchei!
E...
De todo fantástico mundo que eu sonhei,
Restaram apenas ruínas, que derrubei!
O real, cru e cruel eu enxerguei:
E quis ser como a vida que sepultei,
E vi que é belo também, o que matei!
Ao nascer de novo, pro novo que retornei,
Sem mito ou lenda, é o que terei,
Insano, verdadeiro, ou fora da lei!
Não há Hidra ou herói que adorarei...
Do meu Delfos sem sal eu só serei,
A mulher comum, como a que eu sei!

EIRAS E BEIRAS

Uma rua,
Uma nua,
Uma lua,
FRONTEIRAS!
Um rio,
Um cio,
Um fio,
BARREIRAS!
Um sonho,
Um conto,
Um banho,
MANEIRAS!
Um dia,
Uma alegria,
Uma orgia,
BESTEIRAS!
Um tchau,
Um legal,
Um sinal,
TERÇAS-FEIRAS!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A Marítima Mente

No límpido mar que navegas;
Do aquoso espelho que enxergas;
À deriva em meio às pragas;
Na imensidão do mar sem regras;
Flutuas como as naus gregas;
À espreita de novas drogas!

No cristalino céu que reflitas;
Do fabuloso mundo que habitas;
À marina em meio às aflitas;
Na silenciosa paz que meditas;
Manobras de longe as malditas;
À busca de praias bonitas!

No marítimo oceano sem flores;
Do misterioso mítico em cores;
À flutuação em meio aos amores;
Na épica do mar sem rumores;
Ancoras sem medo tuas dores;
À vista de sol e sabores!

domingo, 15 de maio de 2011

Menino de Rua



                      Um domingo comum,                        
Era um dia normal,
E no chão restava um,
Em posição fetal!

Num pedaço de pano,
Um menino encoberto,
Como dorme todo ano,
Sempre a céu aberto!

Seguindo seus caminhos,
Pessoas passam por ele,
Como pássaros em ninhos,
Ninguém repara naquele!

No calçadão da praia,
O menino ali dormia,
Era mais uma vaia,
De tudo que corria...

E, em sonhos se perdia,
Dormindo assim simplesmente,
Nas lembranças, na alegria,
De uma imagem inconsciente!

E recostado no abrigo,
Era mais um cachorro,
Esperando seu amigo,
Que descia lá do morro!

E dorme o sonho dos justos,
O menino agora perdido,
No céu correto dos bustos,
Em mais um dia sofrido!

Sem escola, sem família,
Menino órfão, de rua,
Sozinho nesta ilha,
E os olhos fechando a lua!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Inverno


Quando chega o inverno,
Triste escurecer,
Tarde amanhecer,
Gelado inferno!

Lembrar do teu calor,
No fogo que me entorpe,
Em nada que me cobre,
No frio do desamor!

A chuva fria e mansa,
Traz a imagem cinzenta,
Num tempo que venta,
Um gelo sem esperança!