PARA OS AMANTES DA POESIA











"O poeta é um fingidor,

Finge tão completamente,

que chega a fingir que é dor,

a dor que deveras sente."


Fernando Pessoa

quinta-feira, 31 de maio de 2012

The Sun and the Beast

Sun shines
The Beast!
With shiny eyes,
At the least!
Crosses the river,
Until the East,
Stops to fever
Starts the feast!

Sun comes
The Beast!
With slow steps
On the bleat,
Brings books
From the list,
Sings the songs,
Loves the Beast!

Túnel

Viste o túnel à tua frente?
E tudo que vem à mente!
Uma paisagem - de repente,
Ou imagem transparente!

Viste a luz ao final dele?
E o escuro que há nele!
Uma estrada de uma pele,
Ou, a amada que repele!

Viste além de tuas esferas?
E desafia tuas quimeras!
Uma porta com duas feras,
Ou carruagem de megeras!

Insone

Longa foi a noite,
Vendo-a de mansinho...
Torturando com açoite,
O poeta no caminho!

Curtos foram os sonhos,
Tendo-os por pesadelos...
Revelando o ser medonho,
Um deserto sem camelos!

A pele que habito

A pele  que habito
Não é minha...
E nem minha casa,
Não revela minha brasa,
É  apenas uma linha!

A pele que habito
Não é tua...
E nem tua moradia,
Não revela tua folia,
É  apenas uma rua!

A pele que habito
Não é Dele...
E nem o seu recanto,
Não revela todo pranto,
É  apenas uma pele!

A pele que habito
Não é nossa...
E nem nosso lar,
Não revela nosso par,
É  apenas uma fossa!

A pele que habito
Não é vossa...
E nem vossa morada,
Não revela vossa amada,
É  apenas uma bossa!

A pele que habito
Não é deles...
E nem suas baias,
Não revela suas laias,
É  apenas uma - Neles!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Na tua Persona

Na tua persona,
Há todos os filmes,
que  vi!
E na tua poltrona,
Todos os livros,
que li!
É na pele de um Ricardo...
Assim te vejo:
Que venho até teu reino,
-Um pântano!
E meu cavalo treino!
E como Davi,
Me acertas no meio!
Te agigantas,
Me matas...
És o primeiro!
Que falta?
És o libertino de ontem,
O Ricardo de minha sombra...
O Davi que me apedreja,
A literatura que me almeja!
Tuas falas sádicas,
Tuas imagens fálicas,
Provocam minha poesia,
Vassalagem e pornografia,
Meu verso na tua magia!

sábado, 5 de maio de 2012

BALLET DE FERAS


Na dança do acasalamento,
Que acaso acontece no pântano,
Em nada me lembra o lamento,
Que cala e ecoa ao cântaro!
 
É dança de monstros...
Cultos monstros eruditos,
Feras feridas de encontros,
Encantos de carmas malditos!
 
No encaixe e desfecho bestial,
A carne consome o pudor...
Pode ser sedução celestial 
Ou somente vaidade de amor!